quinta-feira, 31 de março de 2011

Eu sou astrólogo!


Qualquer texto que queira falar de música precisa citar algumas figuras da história, e essa é uma das mais carismáticas: Raul Seixas!

O primeiro CD que ganhei na vida foi uma coletânea chamada Minha Vida, com as "melhores" músicas do Raul, como Ouro de Tolo, Rock do Diabo, Metamorfose Ambulante, Como Vovó Já Dizia, Medo da Chuva...enfim, tantas músicas, e tão excelentes, que me fizeram vidrar em tudo que, por sorte, ainda há sobre ele. Mas dentre todas as músicas daquele apanhado uma me encantava mais. Era Al Capone.

Quando criança a escutava sem entender nada, achava legal os gritos de "Eu sou astrólogo" que Raulzito emanava em meio a riffs ardidos de guitarra, gostava de ouvir os nomes de Júlio César, Lampião, Hendrix, Jesus Cristo, todos misturados, numa confusão de conselhos e previsões que pareciam mera casualidade. Imagino que quando foi lançada, em 1973, no álbum Krig-ha, Bandolo!, a música tenha causado sensação parecida, e não apenas nas crianças. Ouvindo a música hoje, vejo que Raul fazia nela suas críticas a sociedade, em como as situações se repetem de várias formas, como a estrutura do que vivemos se mantém igual. Prestando bastante atenção dá pra entender o por que daqueles gritos que tanto me encantavam quando criança.

Raul Seixas, infelizmente, faz parte daqueles que são marginalizados pela mídia, sua obra não é tão bem divulgada e nem tão bem estudada. Hoje em dia seus gritos e músicas são partes de uma cultura popular que chega a ser inocente. Tudo o que fez teve de ser subliminar, por parábolas que escondem uma riqueza de mensagens e significados que, em sua maioria, continuam incompreendidos.

Cuidado, aí vem o inimigo! (Krig-ha, Bandolo!)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Let there be rock...!


AC/DC é uma das bandas mais tradicionais e fiéis àquilo que chamamos de Rock! Estão na estrada desde 1973 fazendo no melhor estilo possível, músicas que atraem público de todas as idades.

Hits como Highway to Hell, You Shook me All Night Long, Back in Black, TNT e tantas outras permanecem vivas até os dias de hoje. Mas gosto de uma em especial. Hells Bells!

Hells Bells, para mim, é a melhor abertura de música já feita na história. O soar de um sino é o abre alas para Angus e Malcolm Young, com suas guitarras repletas de distorção, começarem um verdadeiro show que é concluído na voz rasgada de Brian Johnson.

A música foi composta por Johnson e os irmãos Young, e foi lançada no álbum Back in Black, em 1980. Durante as apresentações, um sino de quase meia tonelada é tocado com a ajuda do vocalista da banda.

O vídeo é do DVD Family Jewels, uma coletânea de vídeos antigos do grupo que foi lançado em 2005.

Let There Be...

quinta-feira, 24 de março de 2011

How to unfold your love


"Eu pensava no I Ching, o Livro das Mudanças. O conceito oriental de que tudo é relativo, que para tudo existe um significado por ocorrer. Não há essa coisa de coincidência. Todas as coisas que ocorrem tem um propósito.

A música foi baseada nessa teoria. Eu decidi escrever uma música sobre a primeira coisa que visse em um livro qualquer - que seria algo relativo àquele momento, aquela hora. Peguei um livro qualquer, o abri, e a primeira coisa que vi foi 'gently weeps'. Deixei-o de lado e comecei a escrever."

George Harrison era adepto do misticismo indiano desde meados dos anos 1960, e utilizava com frequência esta filosofia em seu trabalho. Ajudou a expandir o conhecimento ocidental sobre a sitar e o movimento Hare Krishna. Era amigo de Ravi Shankar, músico indiano que colaborou em diversos trabalhos e é o 21° na lista dos Melhores Guitarristas de Todos os Tempos da revista Rolling Stone.

Em sua juventude, Harrison frequentava o Liverpool Institute for Boys (uma escola de artes), e lá conheceu Paul McCartney. Além de estudarem na mesma sala, Paul e George moravam no mesmo bairro e iam para a escola no mesmo ônibus (para George isso certamente não foi coincidência). Em 1958, McCartney o apresentou a John Lennon, e ele passou a fazer parte do The Quarrymen (que daria origem aos Beatles).

Harrison tinha um estilo próprio de tocar. Era calmo, dominava os campos harmônicos com maestria e usava de muito feeling para compor e se apresentar. Como pessoa era tranquilo, não se expunha, e, por essas características, ficou conhecido como "the quiet Beatle".

Sua carreira solo iniciou com o álbum All the Thing Must Pass, dado por muitos como o melhor álbum de um ex-beatle e uma dos melhores de todos os tempos. Lançou mais 11 discos posteriormente, sendo dois ao vivo, The Concert for Bangladesh, em 1971, e Live in Japan, em 1992, e um póstumo, Brainwashed, em 2002, finalizado por seu filho, Dhani Harrison e Jeff Lynne.

George Harrison faleceu de câncer em 29 de novembro de 2001, mas sua morte foi anunciada somente quatro dias após, quando seu corpo já havia sido cremado. Suas cinzas foram levadas para a Índia e espalhadas sobre o Rio Ganges ou o Yamuna, rio que o ex-beatle amava.

While My Guitar Gently Weeps é uma de suas músicas mais conhecidas, ao lado de Something. Durante a produção da música Harrison convidou Eric Clapton para ajudar na gravação da guitarra solo, e apesar da resistência inicial de Clapton, George dizia que a presença dele no estúdio fez com que todos se doassem mais.

Try it a bit harder
While My Guitar Gently Weeps

terça-feira, 22 de março de 2011

Shake, it! Shake, it!


Para começar, é preciso dizer sobre o pai de tudo, o cara que pegou uma guitarra Gibson e inventou a pegada gênio do rock and roll.

Provavelmente deveríamos falar sobre suas várias músicas, mas eu realmente quero mencionar uma em especifico. Eu quero falar da música que transformou "Papai" Chuck Berry na lenda que é hoje.

Johnny B. Good é uma espécie de hino, a personagem foi inspirada em um dos parceiros musicais de Berry, o pianista Johnnie Johnson. O riff inicial, que é a cara do rock, parece ser uma cópia do riff utilizado por Carl Hogan em Ain't That Just Like a Woman, composta por Louis Jordan, em 1946. Hogan, aliás, exercia grande influência no estilo de tocar de Chuck Berry (até ele inovar a utilização dos riffs). Mas transformado ou não, o início da música é estridente, agressivo, com o tempo certo para agitar a platéia. A música por completo é uma mistura de country e blues, com alguns versos sobre um garoto com talento e sua guitarra, uma dicção maravilhosa e a inocência necessária que o verdadeiro Rock and Roll pede.

Alguns artistas como AC / DC, Bad Religion, BB King, Elvis Presley, Led Zeppelin, Santana, The Rolling Stones, The Shadows e The Who gravaram a canção. Ela está nas principais listas de "As Melhores Músicas de Todos os Tempos ", e é uma das canções que a Voyager Golden Records levou ao espaço.

Enfim, Chuck Berry!

O vídeo que coloquei é de uma apresentação de 1958, em um programa de TV francês (pesquisei mas não descobri qual é, caso alguém saiba, me avise).

Shake, it, damn French, shake it!