Qualquer texto que queira falar de música precisa citar algumas figuras da história, e essa é uma das mais carismáticas: Raul Seixas!
O primeiro CD que ganhei na vida foi uma coletânea chamada Minha Vida, com as "melhores" músicas do Raul, como Ouro de Tolo, Rock do Diabo, Metamorfose Ambulante, Como Vovó Já Dizia, Medo da Chuva...enfim, tantas músicas, e tão excelentes, que me fizeram vidrar em tudo que, por sorte, ainda há sobre ele. Mas dentre todas as músicas daquele apanhado uma me encantava mais. Era Al Capone.
Quando criança a escutava sem entender nada, achava legal os gritos de "Eu sou astrólogo" que Raulzito emanava em meio a riffs ardidos de guitarra, gostava de ouvir os nomes de Júlio César, Lampião, Hendrix, Jesus Cristo, todos misturados, numa confusão de conselhos e previsões que pareciam mera casualidade. Imagino que quando foi lançada, em 1973, no álbum Krig-ha, Bandolo!, a música tenha causado sensação parecida, e não apenas nas crianças. Ouvindo a música hoje, vejo que Raul fazia nela suas críticas a sociedade, em como as situações se repetem de várias formas, como a estrutura do que vivemos se mantém igual. Prestando bastante atenção dá pra entender o por que daqueles gritos que tanto me encantavam quando criança.
Raul Seixas, infelizmente, faz parte daqueles que são marginalizados pela mídia, sua obra não é tão bem divulgada e nem tão bem estudada. Hoje em dia seus gritos e músicas são partes de uma cultura popular que chega a ser inocente. Tudo o que fez teve de ser subliminar, por parábolas que escondem uma riqueza de mensagens e significados que, em sua maioria, continuam incompreendidos.
Cuidado, aí vem o inimigo! (Krig-ha, Bandolo!)